O Supremo Tribunal Federal (STF)
aceitou, nesta terça-feira (8), denúncia da Procuradoria-Geral da República
contra o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força.
Presidente e criador do partido Solidariedade, Paulinho responderá como réu a
ação penal por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o
sistema financeiro. A decisão foi tomada, em votação unânime, pela Segunda
Turma do Supremo. Participaram da sessão o relator do caso, Teori Zavascki, e
os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
O nome do deputado aparece no
relatório da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, que prendeu 11
suspeitos, entre empresários, advogados e servidores públicos. Iniciada em
dezembro de 2007, a Operação Santa Tereza tinha por objetivo inicial apurar
denúncias de exploração de prostituição e tráfico de pessoas. Ao longo das
investigações, a PF interceptou ligações de investigados que negociavam a
cobrança de uma porcentagem sobre o valor liberado pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a realização de financiamentos.
Um dos presos na ocasião, João
Pedro de Moura foi classificado pelos policiais como “um dos principais
assessores da Força Sindical, responsável pela ligação da organização criminosa
com o banco”. Segundo a PF, João Pedro e o deputado paulista tiveram vários
encontros em Brasília. De acordo com as investigações, o então prefeito de
Praia Grande (SP), Alberto Mourão (PSDB), repassou R$ 2,6 milhões à quadrilha
em troca da aprovação de financiamento de R$ 124 milhões para o município.
Segundo a denúncia aceita pelo
Supremo, o deputado recebia parte das comissões da quadrilha beneficiária do
financiamento, em troca de favores políticos. De acordo com a acusação, foram
encontrados na casa de João Pedro indícios de que o deputado recebia dinheiro
do esquema. Suspeita-se que o grupo embolsava entre 3% e 4% dos valores obtidos
em financiamento. O parlamentar alega ser vítima de perseguição política e
armação e nega ter qualquer envolvimento com o caso.
O fundador do Solidariedade
ainda é investigado em outros dois inquéritos (2905 e 3901) por peculato e
corrupção passiva. No segundo caso, ele é suspeito de ter contribuído com a
venda de cartas sindicais, indispensáveis ao registro de sindicato.
Um dos principais aliados do
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Paulo Pereira da Silva também
tem se destacado pela forte oposição que faz ao governo Dilma e ao PT e pela
defesa do impeachment da presidente.
Nas manifestações do Dia do
Trabalhador, em 2014, Paulinho causou polêmica ao dizer que a presidente
deveria estar presa pelos “roubos” na Petrobras. “Pelos roubos que tem feito na
Petrobras, a presidente Dilma Rousseff deveria estar presa”, discursou, em São
Paulo.