A investigação da Lava Jato aponta
que o senador Fernando Collor é suspeito de ter recebido R$ 26 milhões em
propina. Os investigadores dizem também que o senador parou de pagar as
prestações da Lamborghini por causa da Lava Jato.
Os investigadores disseram que as tais prestações deixaram de ser pagas assim
que a Operação Lava Jato começou. Interpretação deles: a fonte da propina
secou, aí não tinha mais como pagar. Se bem que a fonte era bem generosa: o
senador Fernando Collor teria recebido em cinco anos, cerca de R$ 26 milhões.
Sabe aquela Lamborghini de R$ 3 milhões que foi apreendido pela Polícia Federal
na casa do senador Fernando Collor? Pois é, Collor pediu à Justiça o carro de
volta.
O pedido, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ainda vai ser julgado. Mas o
Ministério Público Federal já se manifestou: é contra a devolução do carro.
Primeiro porque o Lamborghini não está em nome de Fernando Collor. E sim no de
uma empresa. Collor teria que ter explicado porque se considera o proprietário
do veículo, e não fez isso.
E mais: investigadores afirmam que as prestações do financiamento do carro
estão atrasadas. O pagamento teria sido interrompido depois do início da Lava
Jato. E o banco já até entrou com um processo para tomar o veículo de volta. O
objetivo agora é descobrir se o carro foi comprado com dinheiro desviado da
Petrobras.
O senador Fernando Collor é suspeito de ter recebido R$ 26 milhões em propina
entre 2010 e 2014. Vinte milhões teriam sido pagos pelo dono da construtora
UTC, Ricardo Pessoa, para conseguir contratos na BR Distribuidora. Os outros R$
6 milhões teriam sido pagos, segundo investigadores, por uma rede de postos de
combustível que queria usar a bandeira da BR Distribuidora.
O advogado
Fernando Neves, que defende o senador Fernando Collor, disse que vai comentar
as suspeitas do Ministério Público porque não teve acesso a documentos da
investigação.