O juiz Sergio Moro,
responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância,
homologou nesta segunda-feira o acordo de delação premiada do lobista Hamylton
Padilha. Ele é apontado como um dos operadores que arrecadava propina para o
grupo do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada.
Conforme antecipou o Radar online no início do mês, o lobista se
comprometeu a devolver 70 milhões de reais. Os valores serão pagos em três
parcelas, sendo a primeira dentro de 40 dias.
Pelo
acordo de colaboração, Hamylton Padilha deverá cumprir até cinco anos em regime
aberto diferenciado, que inclui o direito de trabalhar durante o dia, mas há
obrigação de prestação de serviço à comunidade e restrições a viagens.
Nesta
segunda-feira, o juiz Sergio Moro já havia recebido denúncia contra Padilha, Zelada e outras quatro
pessoas por haver indícios de que eles atuavam em conluio para beneficiar a
empresa americana Vantage Drilling no contrato de afretamento do navio-sonda
Titanium Explorer. Além de Jorge Zelada e do próprio Hamylton Padilha, se
tornaram réus em uma nova ação penal da Lava Jato o ex-diretor geral da área
internacional da estatal Eduardo Musa, os lobistas Raul Schmidt Felippe Junior,
João Augusto Rezende Henriques e o executivo Hsin Chi Su.
De
acordo com o Ministério Público, pelo menos 31 milhões de dólares do esquema
foram parar nas mãos de Zelada, de Musa e do PMDB, responsável pelo
apadrinhamento político do ex-dirigente. No esquema, os lobistas Hamylton
Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques atuavam como
intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada
a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a João
Augusto Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. Em todos os casos, a propina
era enviada diretamente para contas secretas no exterior.