Em meio a uma forte
turbulência no cenário internacional, o dólar à vista fechou em alta de 1,89%
frente ao real, cotado a R$ 3,60 - maior cotação desde 28 de fevereiro de 2003.
A China voltou ao centro das atenções com o tombo de 8,5% do índice Xangai, o
que espalhou pânico em todo o mundo. O temor diante da desaceleração da
economia chinesa e seus reflexos negativos na economia global reforçou o
movimento de aversão ao risco, e o dólar se valorizou frente às divisas de
países exportadores de commodities, como o Brasil.
Com a queda do mercado acionário chinês, todas
as principais bolsas internacionais operaram em baixa nesta segunda-feira (24).
A desaceleração da economia chinesa também criou incertezas sobre quando os EUA
irão iniciar o processo de normalização dos juros locais. Havia expectativa de que
o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começasse a elevar os juros
em setembro O enfraquecimento da China, no entanto, pode adiar essa decisão,
até mesmo para 2016.
No pior momento do dia no Brasil, o dólar chegou
a ser negociado pela máxima de R$ 3,579, com alta de 2,46%. A desaceleração
veio com a fala do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que enalteceu o
trabalho do vice-presidente Michel Temer na coordenação política do Palácio do
Planalto e anunciou "para breve" medidas de cortes de despesas, que
incluem redução do número de ministérios. Na mínima do dia, que coincidiu com
as declarações de Barbosa, o dólar foi negociado a R$ 3,529 (alta de 1,03%).
Essa, no entanto, foi uma das poucas influências
do cenário interno nos preços dos ativos, uma vez que o nervosismo vindo do
exterior se sobrepôs a fatores domésticos. Ainda assim, causou incômodo aos
investidores a incerteza quanto à permanência de Michel Temer na articulação
política. O mercado também mostrou algum desconforto com a ausência do ministro
da Fazenda, Joaquim Levy, em viagem a Washington, em meio à turbulência
internacional.