A Polícia Federal
deflagrou nesta terça-feira a 16ª fase da Operação Lava Jato - e mira contratos
firmados pelo clube do bilhão com a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras.
Cerca de 180 policiais federais cumprem 23 mandados de busca e apreensão, dois
de prisão temporária e cinco de condução coercitiva nas cidades de Brasília,
Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Baurueri. Batizada Radioatividade, a
operação tem também como objetivo investigar formação de cartel, pagamento de
propina a empregados da estatal e o prévio ajuste de licitações nas obras da
Angra 3.
Lava Jato chegou ao setor
elétrico depois de o executivo Dalton Avancini, da Camargo Corrêa, ter
afirmado, em depoimentos prestados após acordo de delação premiada, que o
cartel de empreiteiras formado na Petrobras continuava a se reunir para
discutir o pagamento de propinas a dirigentes da Eletrobras e da Eletronuclear,
mesmo depois do estouro das investigações sobre o petrolão.
Em
relação a Angra 3, Avancini afirmou que o processo licitatório das obras da
usina incluíam um acordo com a Eletronuclear para que a disputa fosse fraudada
e direcionada em benefício de empresas como a Camargo Corrêa, UTC, Odebrecht,
Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Technit e EBE - todas elas reunidas em dois
consórcios. "Já havia um acerto entre os consórcios com a prévia definição
de quem ganharia cada pacote", disse o delator, que também afirmou que
propina deveria ser paga a funcionários da Eletronuclear, entre eles o
presidente afastado da entidade Othon Luiz Pinheiro da Silva. Em agosto de
2014, em uma reunião convocada pela UTC Engenharia, o delator afirmou que foi
discutido o pagamento de propina de 1% ao PMDB e a dirigentes da Eletronuclear.