
Agripino Maia (DEM-RN) e
Benito Gama (PTB-BA) afirmaram que houve um impasse em relação à ‘governança’
da nova legenda
A derrota do sistema distritão na Câmara e as
dificuldades de entendimento sobre a divisão de poder sepultaram, pelo menos
até depois das eleições municipais do próximo ano, as negociações para a fusão
do DEM e do PTB. Os presidentes das duas legendas, o senador José Agripino Maia
(DEM-RN) e o deputado Benito Gama (PTB-BA) afirmaram neste sábado que houve um
impasse em relação "à governança" da legenda resultante da fusão. Os
dois negaram, no entanto, problemas na divisão do fundo partidário.
— Em nenhum momento houve problemas na divisão
do fundo. A questão foi de governança e ajudou o fato de o distritão ter sido
rejeitado na Câmara. Prefeitos e vereadores estavam pressionados muito porque
têm que trabalhar as coligações e alianças com outras legendas para a eleição
do próximo ano — afirmou Benito Gama.
Parlamentares das duas legendas afirmam que a
decisão em relação ao fundo seria de cada partido ficar com a parte equivalente
ao tamanho das bancadas. O presidente nacional do DEM ressaltou as diferenças
das duas legendas: o DEM é oposição ao atual governo e, embora o PTB tenha
apoiado a candidatura do tucano Aécio Neves no ano passado, parte da bancada defende
o governo Dilma Rousseff.
— São duas legendas com origem e comportamentos
diferentes, por isso, certas questões têm que ser decididas por três quintos.
Os três quintos garantiriam o consenso nas decisões, isso era o recomendável
que fizéssemos. Não foi possível. Eles teriam a presidência, queriam decisão
por maioria (50 por cento mais um). Isso gerou um impasse — disse Agripino,
acrescentando:
Tanto no PTB, quanto no DEM — em número menor —
a fusão encontrava resistência de alguns parlamentares. Segundo parlamentares
do DEM, a fusão estava sendo negociada pelo presidente atual do PTB e a
deputada Cristina Brasil (PTB-RJ) — que assumiria a legenda resultante da
fusão. A ideia era deixar a legenda na oposição, com os deputados mais
governistas saindo do partido. Mas a resistência em aceitar decisões tomadas
por três quintos do comando criou desconfiança no DEM.
Benito Gama diz que fusão acabou não prosperando
porque a lei eleitoral exige definições até um ano antes da eleição:
— O prazo na eleição é fatal: setembro.
Prefeitos, vereadores estavam cobrando muito. Se tivesse mais um a, dois meses poderíamos
chegar a um consenso. Foi uma decisão pacífica. Todo mundo entendeu que era o
melhor.