O advogado Alberto
Zacharias Toron, que na Operação Lava jato já defendeu o empreiteiro Ricardo
Pessoa, da UTC, assumiu a defesa do empresário Fernando Bittar, um dos sócios
do sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e sua família.
O sítio Santa Bárbara, de 173 mil
metros quadrados, é alvo de investigação da Lava Jato. A suspeita é que o
imóvel tenha sido reformado e mobiliado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.
Fernando Bittar é filho de Jacó
Bittar, ex-prefeito de Campinas e amigo pessoal de Lula. Ele é dono do sítio em
sociedade com Jonas Suassuna Filho.
Em discussões internas, o nome de
Toron chegou a ser sugerido por dirigentes do PT para a defesa do próprio Lula.
Parte da cúpula do partido avalia que a defesa do ex-presidente ainda carece de
um "nome de peso" no meio jurídico.
"Estou trabalhando na defesa do
Fernando Bittar. Acho que isso não tem maior significado no ponto de vista do
ex-presidente Lula", disse Toron à reportagem. "Não me inteirei do
caso ainda. Segunda-feira vou para Curitiba examinar os autos."
O criminalista foi o autor do habeas
corpus que tirou da cadeia e levou para prisão domiciliar empreiteiros e
executivos de empresas - entre eles Pessoa e José Adelmário Pinheiro Filho, o
Léo Pinheiro, da OAS - acolhido em abril do ano passado pelo Supremo Tribunal
Federal. Essa foi considerada a primeira grande vitória das defesas sobre as
decisões do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.
Visita. Na segunda-feira, 8,
Lula esteve na Baixada Santista, litoral paulista, para uma visita a Jacó
Bittar. Conforme vizinhos, o ex-presidente chegou ao edifício localizado no
bairro Ilha Porchat, por volta de 13h. A informação é que ele teria seguido
para o sétimo andar e passado o dia no local, deixando São Vicente no final da
noite. Durante a visita, um carro com seguranças permaneceu fazendo a escolta
do petista no estacionamento.
A reportagem esteve na portaria dos
edifícios Sanvi Porchat e Guarú Porchat nessa quarta-feira, 10. Ao serem
questionados, os porteiros informaram que desconheciam a visita de Lula e
também não sabiam dizer se Jacó Bittar residia no conjunto. Uma moradora, no
entanto, confirmou que o ex-prefeito de Campinas reside no prédio. Segundo ela,
Jacó sofre do Mal de Parkinson.
Procurado, o Instituto Lula,
presidido por Paulo Okamotto, não respondeu aos contatos da reportagem. (AE)