O Planalto quer
aproveitar a “onda governista” no Supremo Tribunal Federal para tentar uma
retaliação interna contra o ministro Gilmar Mendes, maior “pedra no sapato” do
governo com suas posições duras contra a corrupção. Auxiliares do Palácio
pretendem provocar a reação de membros do STF às declarações do ministro, que
acusou o tribunal de adotar atitude “bolivariana”, no julgamento do rito do
impeachment.
Corajosamente, Gilmar Mendes falou em
“cooptação” e lamentou o “ativismo” do STF, mais empenhado em legislar do que
em julgar.
Ao citar o bolivarianismo, Gilmar
Mendes comparou o STF à suprema corte venezuelana, que presta vassalagem ao
regime chavista.
Na Venezuela, a Justiça costuma tomar
decisões ao arrepio da lei e da Constituição, e até sentencia à prisão os
opositores do regime chavista.
Tentativas de retaliar Gilmar Mendes
encontrarão resistência no STF: ele é tão querido quanto respeitado, até pelos
alvos de suas críticas.