Representantes
da mineradora Samarco,
cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, admitiram
que há risco de rompimento nas barragens de Santarém e Germano - que ficam
perto da que se rompeu no dia 5 de novembro, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.
Durante coletiva, nesta sexta-feira (17), o diretor de operações e
infraestrutura da Samarco, Kléber Terra, disse que o fator de segurança na
Barragem de Santarém é de 1,37 numa escala de 0 a 2, o que significa uma
estabilidade de 37%.
Ainda segundo
Terra, estão sendo feitas obras emergenciais nas duas barragens.
De acordo com a
mineradora, na barragem de Santarém, o maciço, corpo principal, está
preservado. Porém, houve danos na crista - o ponto mais alto – e em parte da
estrutura do vertedouro, estrutura que permite a saída de água.
O fiscal do
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Minas Gerais, Leandro
Carvalho, havia dito, em entrevista ao Fantástico deste domingo (15), que a barragem de Santarém não se rompeu.
Segundo a mineradora, houve “galgamento” na barragem, ou seja, ela transbordou
com os rejeitos da barragem de Fundão, mas “o maciço remanescente está íntegro
mesmo estando parcialmente erodido”.
O engenheiro
especialista em barragens Joaquim Pimenta de Ávila explicou ao G1 que isto significa que Santarém está
com capacidade menor de retenção porque está mais baixa. “Ela não se rompeu.
Para falar que houve rompimento teria que ter levado tudo. Tem muito rejeito lá
ainda. Está cheio de lama”, disse. O engenheiro falou que sobrevoou as
barragens.
A Samarco
afirmou que na barragem de Santarém, primeiramente, serão colocados blocos para
minimizar o impacto de erosão e que a intervenção definitiva está na etapa de
estudos de engenharia para escolha da melhor alternativa.
A terceira
barragem do complexo, a Germano, tem tricas decorrentes do rompimento da
barragem de Fundão, conforme a Samarco. “A estrutura principal da barragem de
Germano está preservada. As estruturas auxiliares e as trincas observadas,
decorrentes do rebaixamento do reservatório de Fundão, estão sendo monitoradas
de maneira intensa e permanente”.
Segundo a
mineradora, as obras de emergência para prevenir o rompimento de Germano e de
Santarém já foram iniciadas. “Todas as estruturas estão sendo monitoradas em
tempo real por meio de radares e inspeções diárias são realizadas pela equipe
técnica da empresa. Além disso, estão sendo utilizados drones, escaneamento a
laser e a instrumentação geotécnica existente para a avaliação técnica, sendo
que para a barragem de Germano, as leituras são automatizadas com aquisição de
dados online”, diz o comunicado.
No dia 5 de novembro, a barragem de Fundão se rompeu provocando um “tsunami” de
lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues e varreu outros distritos da
região central de Minas Gerais.
A lama atingiu
o Rio Doce,
provocando mortandade de peixes e prejudicando o abastecimento de água em
cidades banhadas pelo rio. Até a tarde desta segunda-feira, 12 pessoas seguiam
desaparecidas, sendo nove funcionários da Samarco e três moradores de Bento
Rodrigues.
Quatro corpos
aguardavam identificação. Sete mortos na tragédia já foram identificados.
Fonte: G1.com