A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu
investigação criminal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por
suposto tráfico de influência nacional e internacional em defesa dos interesses
da empreiteira Odebrecht.
Uma portaria publicada no dia 8 de
julho e divulgada nesta quinta-feira 16 transforma a chamada “notícia de fato”
– fruto de ilações de uma reportagem de maio da revista Época – em um procedimento investigatório
criminal (PIC). Com isso, o Ministério Público fica autorizado a realizar
pedidos de investigação mais amplos, que dependem de autorização da Justiça
para serem levados a cabo.
A procuradoria acolhe a hipótese
levantada pela Época de que Lula teria a intenção de
influenciar agentes públicos estrangeiros, especificamente dos governos da
República Dominicana e de Cuba.
O ex-presidente Lula, por meio de sua
assessoria, disse que todas as informações e documentações solicitadas pela
procuradora Mirella Aguiar foram enviadas ao MPF-DF dentro do prazo estipulado.
“Entendemos que a função do Ministério
Público é investigar, e temos a certeza da lisura e da legalidade de todas as
atividades do ex-presidente”, afirma a assessoria.
A investigação estava a cargo da
procuradora Mirella Aguiar. Foi ela quem havia solicitado as informações ao
instituto. A investigação, contudo, foi aberta por outro procurador, Vantan
Timbó Martins Mendes Furtado.
O instituto lembra ainda que todas as
viagens do ex-presidente foram divulgadas à imprensa por e-mail, site e redes
sociais, mesmo Lula não exercendo cargo público. Sem cargo, o ex-presidente não
tem a obrigação de divulgar suas viagens para o exterior, embora mesmo assim o
faça.
Em relação às palestras promovidas por
empresas nacionais ou estrangeiras, o instituto já havia afirmado que “Lula é
remunerado, assim como outros ex-presidentes que fazem palestras”.
O Instituto Lula nunca negou ter
recebido doações da Odebrecht e a empresa nunca negou ter concedido este apoio.
A doação de empresas a institutos de ex-presidentes é corriqueira. O Instituto
Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, recebeu doações de dezenas de empresas,
entre elas a própria Odebrecht, a Camargo Corrêa e a Sabesp. A companhia de
saneamento controlada pelo governo estadual do PSDB e cujo faturamento vem de
contas pagas pela população (e, portanto, dinheiro público), depositou R$ 500
mil nos cofres da entidade do ex-presidente tucano.