A defesa
do vice-governador da Bahia, João Leão (PP), reforçou o pedido que já tinha
feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser excluído de um dos inquéritos
da Operação Lava-Jato, de acordo com informações do jornal O Globo. Em março,
quando foi confirmando que Leão era um dos investigados por suspeitas de
corrupção na Petrobras, ele soltou nota dizendo que ficou surpreso com a
notícia, mas que estava “cagando e andando” para isso.
Na
petição entregue ao STF, o advogado Gamil Föppel sustenta que as acusações
contra seu cliente são baseadas em trechos descontextualizados da delação
premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da
Petrobras Paulo Roberto Costa. Föppel acrescenta que Costa retificou suas
declarações em depoimento prestado à CPI da Petrobras na Câmara. Na ocasião,
diz o advogado, o ex-diretor da estatal negou categoricamente possuir qualquer
relação com Leão.
Ainda de
acordo com o jornal, Föppel voltou a defender o arquivamento da investigação
contra o vice-governador e pediu acesso à íntegra de todos os termos de delação
premiada já firmados relacionados ao caso. Além disso, solicitou novamente
acesso à íntegra de procedimentos já arquivados pelo Ministério Público Federal
(MPF) dentro da Operação Lava-Jato ou com alguma relação com a investigação
aberta contra Leão.
A defesa
diz ainda que, mesmo sem razão para a continuidade da investigação, Leão se
coloca novamente à disposição da polícia e da Justiça para prestar
esclarecimentos e apresentar os documentos que possam ser úteis para a apuração
dos fatos, além de qualquer outra medida necessária.
Em março,
a reação do vice-governador à inclusão do seu nome na lista dos investigados
foi alvo de críticas. “Acredito que pode ter sido por ter recebido recursos em
2010 das empresas que estão envolvidas na operação. Mas, botar meu nome numa
zorra dessas? Não entendo. Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça
desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa”,
disse ele na época ao jornal Folha de São Paulo.
O relator
do inquérito é o ministro Teori Zavascki. O STF está de recesso e voltará a
funcionar normalmente na próxima semana. Até lá, cabe ao presidente do
tribunal, o ministro Ricardo Lewandowski, tomar decisões para os casos que
chegam à corte.