O presidente do PMDB na Bahia e 1º secretário da Executiva
nacional do partido, Geddel Vieira Lima, decidiu dar o pontapé inicial no que
considera ser o movimento com poder que vai culminar no rompimento da legenda
com o governo federal. Sua posição é seguida por boa parte dos peemedebistas
baianos que apoiam a ideia de que está insustentável apoiar a gestão da
presidente Dilma Rousseff (PT). Em entrevista ao Blog do Josias, Geddel diz ter
comunicado ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que deflagrou
a articulação pelo rompimento com o governo Dilma, assim como também deixou o
ministro Eliseu Padilha, da Aviação Civil, a par da decisão. “Acabou esse
constrangimento de silenciar por amizade e respeito ao Temer”, disse Geddel.
“Não temos nada contra o Temer e o Padilha. Mas está havendo uma extrapolação.
Os dois fazem uma defesa intransigente do governo. E expressam posições que não
correspondem ao pensamento da maioria do PMDB. Essa maioria começará a se
expressar. Estou quebrando o silêncio. Outros falarão”, desabafou.
O discurso pró-afastamento na Bahia é seguido pelo irmão do
dirigente, o deputado federal mais votado do estado, Lúcio Vieira Lima (PMDB),
que considera não ter lógica no posicionamento de Temer que pretende romper a
relação apenas em 2018. “Isso não tem a menor lógica. Não existe. Não tem como
lançar candidatura à Presidência participando do governo. Se você for disputar
a eleição ficando nesse governo, quem vai nos apoiar?”, questiona o
parlamentar. “O PMDB nunca foi chamado para colaborar com a criação de
políticas públicas, sempre teve ministérios periféricos. Foram para a convenção
do ano passado dizendo que o segundo mandato de Dilma seria diferente e estamos
vendo a mesma coisa. Por isso aqui na Bahia nós rompemos dois anos antes da
eleição de 2010.
Por que o PMDB tem que ficar apoiando o governo, sendo que o
governo está na contra mão dos interesses da população? Você pode perguntar,
‘mas como é que vai sair do governo, se Michel é vice?’ “O governo foi eleito
para quatro anos e Michel fica aguardando para cobrir só alguma vaga na
Presidência”, relata o deputado.
O deputado estadual e presidente do PMDB de Jequié, Leur Lomanto
Júnior, concordam com Lúcio Vieira. “Há muito tempo que nosso posicionamento é
esse externado por Geddel. O caminho que o PMDB aqui na Bahia vem trilhando já
é de oposição, como apoiando Aécio Neves [PSDB] para presidente na eleição
passada”, apontou Leur, que também destacou o exemplo ocorrido diante do
cenário da eleição de 2010, quando o partido rompeu com o PT na Bahia e Geddel
se lançou candidato ao Palácio de Ondina.
O peemedebista acredita que o posicionamento do dirigente baiano
em favor do afastamento do partido do governo federal deverá fortalecer a
mobilização. “Pelo que tenho conversado com alguns amigos, essa tendência vem
crescendo muito. Na ultima eleição, já tinha a tendência muito forte, a exemplo
da convenção do PMDB em que o partido já estava rachado entre apoiar a
presidente Dilma ou romper”, lembrou Leur em entrevista à Tribuna, quando citou
o Congresso Nacional que o partido realizará em setembro como um momento
propício para debater a ruptura da relação política. “O governo Dilma está
insustentável. Obviamente, precisa de elementos legais para embasar um pedido
de afastamento, mas ela já não tem a aprovação popular, não tem respaldo
popular para continuar governando”, criticou o peemedebista.
Geddel tem viajado a Brasília com mais frequência, onde tem
ampliado a unidade dentro do partido para reivindicar a cisão. “Faremos a
partir de agora uma luta aberta, sem constrangimentos. O PMDB tem de sair do
governo, entregando todos os cargos. Do contrário, não teremos credibilidade
para falar em candidatura própria para 2018. Se queremos ser levados a sério,
precisamos trilhar a nossa estrada de Damasco”, disse.