Desde a abertura, a Conferência Municipal da Saúde de
Salvador prometia ser um prova de fogo para o secretário da Saúde, Fábio Villas
Boas. Sem experiência política e sem intimidade com o SUS, Villas Boas operou o
desmonte do trabalho realizado pelo antecessor e hoje deputado federal, Jorge
Solla (PT).
O acúmulo de desgastes com os servidores, desde o fim
das Dires (Diretorias Regionais de Saúde) e a interrupção de vários serviços
foram desgastando o titular da saúde, guindado ao posto como cota pessoal do
governador Rui Costa. A gota d'água seria o desgaste com o avanço das viroses
que estão assolando Salvador e boa parte do interior e a incidência nunca antes
registrada da síndrome de Guillan Barré, que colocaram a Bahia em destaque
negativo na imprensa nacional.
Pelo regimento da Conferência, seriam necessárias pelo
menos 200 assinaturas para uma moção ser apresentada na plenária final. No
encerramento, ao final da tarde desta quinta-feira, o texto pedindo a demissão
de Fábio Villas Boas foi aprovado sem polêmicas. Sem ter quem o defendesse, o
secretário recebeu a notícia de ter se tornado uma unanimidade na Conferência.
Uma dor de cabeça a mais para quem já tem o grande problema da saúde pública na
Bahia para dar conta.
As conferências municipais de Eunápolis, Itabela, Dom
Basílio, Guaratinga, Pindobaçu, Porto Seguro, Itapebi, Filadélfia, Vitória da
Conquista e Luis Eduardo Magalhães aprovaram moções com o mesmo teor. O
posicionamento dos cerca de 800 delegados, entre profissionais de gestão,
usuários e trabalhadores da saúde, esquenta a chapa para Villas Boas. Na última
reunião do Conselho Estadual, sem a presença do secretário - que preside o
colegiado - foi encerrada com o coro "fora Fábio". Neste clima, a
dúvida é se ele suportará a pressão crescente até a 9a. Conferência Estadual,
marcada para 29 de outubro, ou se, antes disso, o governador Rui Costa demitirá
o secretário do seu coração - Fábio Villas Boas é o cardiologista de Rui.